'Tá, Amanda, agora chega': delegada lembra quando mulher que fingia ser criança abandonou voz infantil

  • 12/06/2026
(Foto: Reprodução)
Mulher que fingia ser criança abandonou voz infantil em delegacia A delegada de Polícia Civil Luana Tamiozzo Medeiros recorda o momento em que confrontou Amanda Maria Souza de Oliveira, 37, mulher que se apresentava como uma menina de 11 ou 12 anos chamada Gabrielly da Silva Ferreira em diferentes cidades do Rio Grande do Sul. Investigação da 2ª Delegacia de Polícia de Cachoeirinha prendeu a mulher em 2021, cinco anos antes do caso de a suspeita de estelionato ficar conhecida em todo o país após a prisão em Santa Catarina. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Segundo a policial, a cena ocorreu após o cumprimento do mandado de prisão de Amanda, no fim de 2021. Levada para a sala de interrogatório da delegacia, ela continuava falando com voz infantil, como fazia diante de famílias, profissionais da saúde e integrantes da rede de proteção à infância. "Coloquei ela na sala e ela começou a fazer voz de neném para mim", relembrou a delegada em entrevista à RBS TV. Foi então que a policial decidiu interromper a encenação. "Eu olhei para ela e falei assim: 'Tá, Amanda, agora chega'." A reação da suspeita foi imediata: "Ela engrossou a voz e olhou no meu rosto e disse: 'Então tá, delegada, agora é de mulher para mulher'." A reação surpreendeu a delegada e a policial que fazia junto o interrogatório. A polícia também apreendeu os pertences da investigada. "A equipe apreendeu a mala dela também. A mala era cheia de bicos e mamadeiras", contou. Mulher de 37 anos que fingiu ter 12 passou por cinco cidades do RS e ficou presa por seis meses; veja trajetória Mulher que fingia ser adolescente foi diagnosticada com 'transtorno factício e pseudologia fantástica' em 2022 As primeiras suspeitas Antes da prisão, Amanda havia sido acolhida por famílias e acompanhada por serviços públicos após se apresentar como uma criança em situação de vulnerabilidade, incluindo na cidade de Cachoeirinha. As primeiras desconfianças surgiram quando pessoas envolvidas no acolhimento procuraram a polícia. "Eles vieram falar comigo porque a então menina estava tendo comportamentos estranhos, nervosos. Saíam agulhas, pregos de dentro dela", afirmou. Quando viu Amanda pela primeira vez, Luana diz que desconfiou imediatamente da idade informada: "Quando eles vieram me trazer, eu pensei: 'Isso não é uma menina, é uma mulher'. Desconfiei de cara e vi que não era, era uma mulher." A busca no Google Sem conseguir confirmar quem era a suposta adolescente, a delegada decidiu procurar casos semelhantes na internet. A pesquisa acabou sendo decisiva para a investigação. "Eu joguei no Google 'menina criança ferros no corpo', algo assim. E aí descobri que havia dez anos acontecia isso", contou. A busca levou a registros de ocorrências semelhantes em outros estados. A delegada então entrou em contato com um delegado da Bahia e enviou uma fotografia da mulher, que confirmou que era mesmo Amanda. A partir dali, a polícia passou a reconstruir a trajetória de Amanda pelo país. De acordo com a delegada, a investigação apontou que ela se deslocava entre estados pegando carona com caminhoneiros. O pedido de prisão Segundo Luana, a investigação começou quando Amanda passou a apresentar comportamento agressivo na casa de uma das famílias que a acolheram. A residência tinha outra criança morando no local. "Ela começou a ficar agressiva com a outra criança por ciúmes", disse. Diante das dúvidas sobre a identidade da mulher, a polícia e o Ministério Público solicitaram a prisão preventiva. Naquele período, Amanda já estava internada em um hospital. A prisão ocorreu após a alta médica. A operação exigiu cuidados especiais por causa do estado de saúde da investigada. "Tínhamos que cuidar com a queda dela porque ela tinha muito ferro no corpo. A prisão dela foi a coisa mais louca do mundo", relembrou delegada. Amanda ficou seis meses presa pelo crime de estelionato até ter a prisão relaxada pela Justiça. 'Ela queria ter uma família' Após admitir sua verdadeira identidade, Amanda também falou sobre os motivos que a levavam a assumir personagens e buscar acolhimento de desconhecidos, segundo a delegada. "Ela me confessou e argumentou que o motivo é que queria ter uma família. No depoimento dela, nunca disse que era para fazer o mal", disse Luana. Amanda foi indiciada pela Polícia Civil. O processo posteriormente passou a tramitar na Justiça gaúcha, mas estava suspenso, já que ela não havia sido localizada. Recentemente, ela voltou a ser presa em Santa Catarina, onde é investigada por novamente se apresentar como adolescente para obter acolhimento. A defesa de Amanda Maria desconhece os detalhes do processo movido contra ela no Rio Grande do Sul disse ainda que vai se manifestar nos autos do caso que corre em Santa Catarina. Mulher de 37 anos finge ter 12 e é presa por estelionato 1 ano após ser adotada em SC Infográfico - Falsa adolescente Arte/g1 De mamadeira ao Mounjaro como agia mulher de 37 anos que fingiu ter 12 anos para enganar família de SC Redes sociais/Reprodução Mulher de 37 anos 'adotada' após fingir ter 12 anos Polícia Civil/Reprodução VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/06/12/ta-amanda-agora-chega-delegada-lembra-quando-mulher-que-fingia-ser-crianca-abandonou-voz-infantil.ghtml


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